O preço que a Square-Enix tem que pagar por inovar Final Fantasy

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É uma coisa engraçada o mercardo comercial.Você ao mesmo tempo que for lançar seqüências de um produto precisa obrigatoriamente inovar e ao mesmo tempo vender.Só que a inovação pode ser um problema sério na hora de agradar o público.
Esse é um dos principais desafios da Square-Enix.A série Final fantasy foi sempre pioneira quando o assunto era inovação.Cada episódio era uma experiência única em se tratar de sistemas e elementos da série.A empresa no passado não tinha medo de inovar.No entanto as pessoas todas possuem gostos diferentes então ela nunca obteve unanimidade neste aspecto.É até mesmo difícil achar fãs da série que gostem de todos os jogos da série e parece ser cada vez mais difícil agradar o público.
Mesmo com tanta inovação a série sempre foi um tanto conservadora nunca ousando em mudar seu estilo de jogo ou a narrativa,sempre focando nos dramas humanos da humanidade contra uma ameaça em comum.

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Foi com Final Fantasy X-2 que a seus designers puderam tentar uma forma de fazer de forma mais ousada o jogo experimentando e testando outras coisas.A começar pelo fato de ser o primeiro FF com jogabilidade não linear dividido em missões,ter uma trinca de protagonistas em uma busca pessoal(ao invés do enredo de salvação do mundo costumeiro embora esse aspecto se desenvolva mais tarde no jogo), uma narrativa muito mais focada na descontração e no humor do que nos dramas costumeiros(embora ainda estejam presentes),sem summons e ainda sim mantendo a essência primordial da série.
Também foi uma boa forma de tentar saber se um FF diferente poderia se tornar um sucesso comercial mesmo sendo bem diferente do que costuma ser (e os fãs estão acostumados)
Apesar de não ter sido uma unanimidade por motivos óbvios fez muito sucesso,o que animou a empresa a tentar novamente.FFXI foi pelo caminho on-line.E FFXII foi bem ousado,pois ela passou o desenvolvimento todo sob a batuta do time responsável por Vagrant Story o que iria acarretar em mudanças ainda mais drásticas no estilo da série pois Matsuno tem uma abordagem muito diferente do estilo de um Kitase por exemplo.
Embora fosse um jogo interessante FFXII mexeu demais com os aspectos tradicionais de FF e perdeu muito de sua essência, pois esperávamos personagens e um enredo muito mais detalhados e memoráveis do que ele apresentou,fazendo até mesmo Akitoshi Kawazu admitir que o resultado ficou aquém do esperado.

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Com o ousado projeto Fabula Nova Cristallis com 3 títulos FFXIII ao invés de um só novamente atiçou a curiosidade do público principalmente quando foi revelado que os responsáveis diretos por FFVII e FFX estariam cuidando da série principal e a equipe de Kingdom Hearts estaria por trás de FFVERSUS XIII, ou seja o melhor que ela poderia oferecer.

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Mas desenvolver nas plataformas caríssimas e avançadas da atual geração não seria tarefa fácil e certas limitações seriam o obstáculo para o desenvolvimento dos jogos.VERSUS XIII iria revolucionar a série trazendo elementos inéditos aliados a coisas clássicas que os fãs mais antigos adoram como ter um world map com até mesmo uma exploração com uso de Airship.Obviamente um game com gráficos tão realistas e com um mundo gigantesco nãoseria fácil trabalhar num game.Então já era de se esperar que fossem gastos mais de 5 anos na produção do game.
Já FFXIII seria desenvolvido em menos tempo(duvido que a empresa e o público agüentariam dois FFs com ciclos de produção imensos) e com óbvias limitações no jogo.E é nessa hora que entra o talento dos designers em inovar e trazer novas idéias para surpreender e obter um bom resultado.Esse seria o FF mais ousado da história da Square-Enix,abandonando convenções do gênero,abandonando muitos aspectos tradicionais,trazendo um estilo muito mais próximo de games de ação do que RPG,sendo bastante linear(também por questões de enredo),sem nem mesmo possuir busca por itens,ou explorações de cidades.Isso fez o game novamente dividir a opnião do público fazendo quem não gostou acusar de ser muito linear.A mídia esperando algo que fosse melhor que FFXII(considerado como o supra-sumo dos RPGs modernos,o novo patamar de quallidade em RPGs por eles) deu as costas a série e muitos jogadores duvidam até mesmo da capacidade da Square-Enix.Obviamente ninguém entendeu a proposta da série.Quem entendeu viu um game fantástico com novos e interessantes aspectos narrativos com protagonistas que seriam a ameaça ao mundo ao invés do contrário,sendo assim incoerente haver exploração de cidades ou conversas com NPCs sendo que todos passam praticamente o jogo inteiro fugindo(por isso essa linearidade tão extrema) e correndo contra o tempo antes de se transformarem em cristais.Tudo com uma narrativa densa e incrível com personagens cativantes,profundos com um enredo detalhado e fantástico mantendo todo o clima cinematográfico que tanto fez falta no jogo anterior.
Mas o mundo dos jogos não está preparado pra tanta ousadia nos aspectos artísticos,e mesmo que haja tantos adoradores de Lightinning e cia há aqueles que a odeiam comto das as forças.Ouvindo o feedback da série a Square-Enix pensou logo em fazer uma continuação desta vez abandonando a linearidade e recolocando as várias tarefas paralelas,interações com NPCs e outros aspectos tradicionais dos RPGs.Obviamente que ele foi feito também com o intuito de trazer os fãs de Lightinning de volta a experimentar novas histórias naquele mundo.Mas também era óbvio que o desenvolvimento curto de 2 anos impossibilitaria um game grandioso como os demais títulos da série com missões curtas e um jogo de no máximo umas 50 horas de duração então obviamente não agradou a todos novamente.

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Hoje a empresa parece querer retomar o investimento perdido pelas baixas vendas com um novo título chamado Lightinning Returns: Final Fantasy XIII

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Uma coisa engraçada nessa história é o fandom culpar a empresa por tudo,enaltecendo RPGs ocidentais como Skyrim e Mass Effect que tem um mundo enorme e liberdade,algo que os FFs mais recentes não tem o que é uma grande bobagem.Mesmo esses games sendo enormes tem vários fatores que os ajudam.Primeiro é a tecnologia avançada dos jogos ocidentais em comparação ao mercado oriental que ficou menor nessa atual geração.Segundo eles já tem uma engine própria licenciada que já facilita o trabalho dos games designers.E convenhamos,mesmo que esses jogos sejam grandiosos eles não tem nem metade do senso artístico e dos detalhes do design de cenários e personagens que tem minúcias imensas desde de acessórios,cabelos,cintos e tudo mais,parecendo mais ter um visual genérico de RPG medieval e Sci-fi,não importa o quanto requintados ou avançados tecnologicamente eles sejam.Os japoneses são muito metódicos e perfeccionistas,não é a toa que games como Gran Turismo 5 demoram 6 anos sendo que o jogo ainda reutiliza a maioria dos carros do game anterior,Metal Gear Solid 4 que tem ¼ de duração de um RPG demorou 4 anos e VERSUS que já ta completando 7 anos de desenvolvimento.
FFXIII é um jogo grandioso e imponente mesmo que duvidem disso.

Conclusão

É difícil agradar gregos e troianos.Se não fossem as inovações talvez estivéssemos jogando FF com o velho sistema de ATB,com sistemas e mapas genéricos,e embora existam jogos conservadores muito bons como Dragon Quest é preciso ter um jogo que balance as estruturas,que traga algo diferencial do costumeiro e porquê não ditar novas regras.Katherine é um bom exemplo de RPG que não precisa seguir obrigatoriamente as convenções do gênero,trazendo novos ares aos RPGs.
Obviamente que não temos a mente tão aberta pra aceitar o que é novo mesmo aquilo que não mexe com a essência da série.Uma das coisas mais ridículas que já vi comentarem é odiar FFVIII só por causa de um recurso apelão(Aura+Limit Break) sendo que isso é um recurso de jogo não obrigatório,ou seja usa quem quer.
Isso nos limita até mesmo a curtir algo que é inacreditavelmente bom e não sabíamos disso.
Uma pena, pois isso inviabiliza que a empresa tente arriscar algo mais ousado com a série, pois a pressão de vender e agradar a maioria acaba falando mais alto.

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3 respostas em “O preço que a Square-Enix tem que pagar por inovar Final Fantasy

  1. Concordo que a concorrencia do mercado Ocidente x Oriente está desleal, mas acho que os fãs de Final Fantasy já esperam algo meio padrão, tentar mudar para trazer novos fãs é uma faca de dois gumes, ou eles ganham muito mais fãs, ou perdem os que restaram…

    Sinceramente, não consigo preferir Skyrim e afins, mas gostaria sim de um Final Fantasy mais “Aberto”, o FF-XIII, achei extremamente linear e as missoes pareciam side-quests…não linear no sentido de enredo, isso todo FF é, mas sim no sentido de jogabilidade, os mapas e tal…

    • a maioria das reclamações que vejo é nesse sentido.Mas eu gostei muito do jogo,eu sinceramente já estava cansado de RPGs convencionais queria algo diferente do tradicional,como Katherine da Atlus.
      Talvez só faltou dar mais variedade ao jogo pois só o sistema de bataljha sustentou uma jogabilidade direta assim

  2. Comparar WRPG com JRPG acho que não compensa, eu gosto de jrpg pelo elementos de anime e histórias fantasiosas e principalmente pelas batalhas por turno, na minha opinião WRPG é para aquelas pessoas que so querem pegar um machado gigante, matar um dragão e pronto, se acham bons demais para viverem as fantasias as vezes infantis de um bom JRPG.

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